Informes Técnicos


Transtornos Alimentares

Pacientes com Transtornos Alimentares (TA) possuem inadequações profundas no consumo, padrão e comportamento alimentar, além de diversas crenças equivocadas sobre alimentação, o que geralmente acarreta piora do estado nutricional.

Anorexia Nervosa e Bulimia Alimentar são distúrbios alimentares que primeiramente afetam mulheres adolescentes e adultas mais jovens. A preocupação com o peso é o primeiro sintoma em ambos os distúrbios.

Anorexia Nervosa (AN) é a condição caracterizada pela restrição voluntária de alimentos e emagrecimento. A perda de peso é vista como um sinal de extraordinária proeza e autodisciplina, uma vez que o ganho de peso é percebido como uma inaceitável perda de autocontrole.

Bulimia Nervosa (BN) é um distúrbio caracterizado pelos freqüentes episódios de consumo compulsivo excessivo de alimentos, seguidos por um ou mais métodos compensatórios impróprios, para prevenir o ganho de peso. Estes métodos incluem a indução de vômitos, uso abusivo de laxantivos, diuréticos, jejuns prolongados ou excesso de atividade física.

Um indicador de BN é a existência de consumo compulsivo excessivo de alimentos e um ou mais mecanismos compensatórios inapropriados, a fim de prevenir o ganho de peso. Ao contrário dos pacientes com Anorexia Nervosa com subtipo consumo compulsivo excessivo de alimentos/purgação, os pacientes com BN estão dentro do peso normal, entretanto alguns podem estar ligeiramente abaixo ou acima do peso. Como os pacientes com Anorexia Nervosa, estes indivíduos demonstram considerável importância com a forma e o tamanho corpóreo, e freqüentemente ficam frustados pela incapacidade de atingir o peso desejado.

É comum achar que o vômito é um importante indicador de BN; no entanto, é o comportamento de consumo compulsivo excessivo de alimentos/purgação o mais importante para o diagnóstico. Estas crises compreendem incomum de grande quantidade de alimentos durante um pequeno período de tempo (usualmente inferior a 2h). Há um senso de perda do controle no que diz respeito ao consumo de alimentos. Embora a ingestão contínua de pequenas quantidades de alimentos durante o dia possa resultar em um consumo calórico excessivo, não constitua uma crise.

O comportamento compensatório mais comum é a auto-indução de vômito, observado em 80 a 90% dos indivíduos com BN. Os pacientes estimulam o reflexo da garganta com um dedo ou instrumentos (por exemplo, escova de dentes, talheres, etc.) provocando vômito. O xarope de ipeca, é freqüentemente usado para induzir o vômito. Esta prática é perigosa e pode resultar em doenças cardiovasculares, como miocardiopatias e morte súbita.

Aproximadamente um terço dos pacientes relataram abuso de laxativos e também de enemas (APA, 1994). A crise compulsiva é descrita como aquela que interfere significativamente na atividade diária ou é praticada em lugares e momentos impróprios. Apesar da lesão ou outras complicações médicas, estes indivíduos freqüentemente continuarão a agir compulsivamente.

Um aumento da freqüência de sintomas depressivos e alterações de humor é observado em pacientes com BN e o seu início pode ocorrer antes do desenvolvimento da doença. Muitos pacientes com BN, apresentam ansiedade, dependência química e de alterações de personalidade. As alterações de humor e ansiedade devem desaparecer durante o tratamento da BN.

Embora os pacientes com AN sejam refratários à intervenção, os pacientes com BN ficam angustiados com os sintomas e procuram ajuda. Uma das características do tratamento psicológico é acabar com o sentimento de culpa, uma vez que os episódios de consumo compulsivo excessivo de alimentos/purgação ocorrem em segredo.

O tratamento nutricional visa reverter tais alterações e promover hábitos alimentares saudáveis e melhor relação para com o alimento. Os objetivos e características do tratamento diferem para a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, contudo, usualmente, a abordagem é dividida em duas fases: a educacional, cujas principais metas são a regularização do hábito alimentar e o aumento do conhecimento nutricional, e a experimental, que visa propiciar maior reabilitação nutricional e mudanças mais profundas no comportamento alimentar.

Dentro da equipe multidisciplinar que deve tratar do paciente com transtornos alimentares (TA), o nutricionista é capacitado para propor modificações do consumo, padrão e comportamento alimentar.