Informes Técnicos


Obesidade

A obesidade vem crescendo assustadoramente no Brasil, principalmente, nas classes sociais menos favorecidas economicamente. A mudança drástica da alimentação nas últimas décadas, que acometeu principalmente as populações dos países da América Central e da América do Sul, ocorreu por conta do aumento do consumo de calorias, a partir da ingestão elevada de carboidratos e gorduras.

Nos produtos industrializados, os carboidratos são utilizados para tornarem os alimentos e bebidas mais saborosos e com melhor consistência. Uma alimentação com alto teor de açúcar simples (sacarose), especialmente encontrado nas bebidas doces e guloseimas de consistência pastosa, além de estar associada ao excesso de peso e obesidade, é também a principal causa das cáries dentárias entre crianças.

Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares mostram que aqueles que têm rendimentos entre 0,25 e 2 salários mínimos per capita superam em 50% o consumo recomendado de carboidratos. Esse percentual pode ser ainda maior, uma vez que não foi computado o consumo fora de casa.

O consumo excessivo de alimentos com alto teor de gordura está associado ao crescimento e ao risco de incidência de várias doenças, como as doenças cardiovasculares. Segundo o IBGE, o consumo de gorduras totais pela população extrapolou o recomendado em 30,5%.

As gorduras são de diferentes tipos e algumas delas podem ser prejudiciais à saúde. Os ácidos graxos trans, principalmente encontrados nas gorduras vegetais hidrogenadas, ou mesmo, outros tipos de ácidos graxos, como os saturados, muito utilizadas em alimentos industrializados, podem ser prejudiciais à saúde. Esses ácidos graxos estão presentes em muitos dos alimentos pré-processados ou mesmo processados, dentre os quais: biscoitos; recheios; extrusados (salgadinhos); coberturas e granulados; pães e bolos industrializados; alimentos pré-fritos e fritos; margarinas comuns e especiais; cremes e molhos; pipoca; sorvetes; chocolates; pratos pré-preparados e misturas para sopas e bolos.

A Transição Nutricional é caracterizada como uma das principais causas da obesidade e está relacionada diretamente com os fatores de risco em desenvolver doenças metabólicas, como Hipertensão Arterial, Resistência à Insulina, Diabetes Melittus tipo 2 e Doença Cardiovascular. Nos Estados Unidos 60% dos homens e 40% das mulheres estão acima do peso. No Brasil, a obesidade já é considerada um problema de saúde pública, pois cerca de 20% da população infantil e 40% da população adulta está acima do peso ideal, e é tão preocupante como a desnutrição.

A obesidade é uma patologia crônica, que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura. Além do excesso de gordura, a sua distribuição também é importante na classificação de risco. O excesso de gordura localizada na região abdominal tem relação com algumas morbidades, dentre estas, a doença cardiovascular.

O sedentarismo é outro agravante da obesidade e é refletido no ganho de peso e no aumento de massa gordurosa. A Transição Nutricional e o Sedentarismo estão atrelados a outros fatores do cotidiano, como ansiedade, hipertensão arterial, tabagismo, etilismo, esteatose hepática (presença de gordura no fígado) e dislipidemias. As dislipidemias são caracterizadas de acordo com a classificação laboratorial em: hipercolesterolemia isolada, que representa o aumento do colesterol total (CT) e/ou LDL-colesterol (LDL-c); hipertrigliceridemia isolada representa o aumento dos triacilgliceróis (TG); hiperlipidemia mista compreende o aumento do CT e dos TG, diminuição isolada da HDL-colesterol (HDL-c) ou associada a aumento dos TG ou LDL-c.

Infelizmente, o Tratamento Nutricional é iniciado somente após o paciente receber o diagnóstico de esteatose hepática e/ou dislipidemia. A obesidade deixa de ser uma preocupação estética e passa a ser vista como uma doença.

A preocupação deve ser direcionada não somente ao tratamento nutricional da obesidade, mas principalmente à sua prevenção, na forma mais precoce possível, a fim de reduzir os danos decorrentes e dos fatores de risco associados à mesma. A educação nutricional tem por objetivo atitudes preventivas; na formação de hábitos alimentares saudáveis, na correção das carências e dos excessos nutricionais

Os consultórios clínicos, especialmente os de Nutrição, as escolas, os centros de condicionamento físico, centros de saúde e ambulatórios funcionam como ambientes promotores da alimentação saudável, da reeducação alimentar e da recuperação do estado de saúde e de um bom controle metabólico.