Informes Técnicos


Gestantes Mal Nutridas

O estado nutricional da gestante interfere no resultado da gravidez. Um fato diretamente relacionado é o peso do bebê ao nascer, a mortalidade infantil e o risco do bebê em relação à hipertensão, obesidade, intolerância à glicose e doença cardiovascular.

O ganho do peso gestacional está diretamente associado à retenção de peso pós-parto. Na realidade, muitas mulheres com peso pós-parto aumentado ganharam mais peso durante sua gravidez do que os limites recomendados no relato do IOM de 1990. Foram recomendados ganhos de 5,6 a 9,3 Kg para mulheres com sobrepeso para pelo menos ser responsável pelo peso do feto e os tecidos maternos de suporte. Os ganhos menores estão associados a um risco aumentado de retardo de crescimento intra-uterino.

Como as mulheres obesas possuem uma incidência aumentada de complicações obstétricas, inclusive dores do parto prolongadas, pielonefrite, diabetes, hipertensão e tromboembolismo, o padrão de ganho de peso deveria ser monitorado cuidadosamente pelo nutricionista e as recomendações dietéticas apropriadas conforme necessário.

Cerca de 1 milhão de adolescentes americanas engravidam a cada ano. A gravidez de adolescentes continua a ser vista como um dos principais problemas de saúde pública. No Brasil, foi realizado um levantamento pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e apontou que cerca de 80% das adolescentes grávidas se alimentam de maneira inadequada durante a gestação. A pesquisa, feita no Ambulatório de Nutrição, do Hospital Maternidade Interlagos, indicou também que apenas 10% conseguem mudar os hábitos alimentares no período da gestação.

O levantamento foi realizado com 200 adolescentes gestantes e idade até 17 anos, que foram atendidas no primeiro trimestre deste ano. Entre os problemas, o principal é a ingestão excessiva de alimentos altamente calóricos e com grande teor de sódio. Os que lideram a lista dos mais consumidos pelas jovens na gestação são os salgadinhos industrializados, bolachas doces recheadas, hambúrguer, macarrão instantâneo, chocolate, sucos de saquinho e batata frita.

Esses problemas alimentares são prejudiciais tanto para a mãe quanto para o bebê. Consumir alimentos desta qualidade durante a gestação provoca alterações sérias nos níveis de glicemia, além de causar elevação da pressão arterial. Para o bebê, o sofrimento é inevitável, interfe até mesmo na sua formação e no ganho de peso.

A alimentação equilibrada e a ingestão de alimentos saudáveis, como frutas, verduras, legumes e alimentos fontes principais de ferro e ácido fólico, como os feijões e as carnes, e a ingestão de muita água, em torno de 3,0 L por dia, é fundamental no período gestacional. Evitar alimentos gordurosos como frituras, embutidos, doces em excesso e grande quantidade de carboidratos. Eles elevam os níveis de glicemia e podem ocasionar elevação da pressão arterial.

Há uma grande preocupação em relação à resistência às mudanças alimentares, apesar da orientação que as gestantes recebem durante o pré-natal. As jovens de uma maneira geral não têm consciência do prejuízo da má alimentação à saúde do bebê e a elas próprias. Mudar esses hábitos é uma tarefa que envolve um grande desafio para os nutricionistas.